quarta-feira, 11 de março de 2009

CONSERVAS

Não é difícil vê-las,
são feixes de longas folhas verdes
que teimam em acompanhar as linhas dos trens,
como a esperança que brota do abandono.
Estão nos quintais sem cerca,
nas ruas de pouco trânsito,
nos fundos preguiçosos dos quintais doces.
Folha que a um só tempo é rebeldia e doçura,
remédio dos despossuídos
ervas teimosas
por mais que as pesadas rodas de ferro decepem,
por mais que o sol seque,
pode peerder a cor, mas, se fervida,
não perdem o gosto
CONSE-ERVA O BEM-TI-VI

sábado, 7 de março de 2009

Sete Errantes



Era uma vez
Que não me fez desejar mais
Um desdenho antigo de desenhos velhos
Um amigo antigo que deixou saudades
E que me fez rever conceitos e aprender a viver de verdade
Sentir o verdadeiro sentimento que tem a viver
Com ou sem lembranças, o natural, espontâneo
Espontaneidade feita em pétalas de outrora
Pétalas escolhidas pelos sonhos
Lançadas ao leu, puta fina, puta doce
Doce vinho, gracioso deleite
Precioso verbo que me provoca sentimentos intensos
Que faz o meu eu encontrar novos mundos
Que faz o eu teu, te encontrar noutro mundo

terça-feira, 3 de março de 2009

TER (Mauro Iasi)


Queria tê-la
detê-la
retê-la
na tela pintá-la.

Queria tê-la
para dizer
tenho.

Não como guardada
em baús ou malas.
Não em pequenas peças
de memória ou saudade.

Queria tê-la
como o ar
que passa livre como o vento
que meu corpo quer guardar.

Tê-la assim para depois perdê-la.
De tão grande, tê-la aos poucos
devagar e insaciável.

Tê-la nos olhos
como uma ave
que segue seu vôo no céu
e na retina.

Tê-la como a praia
tem ao mar
como língua que volta a boca
depois de beijar

segunda-feira, 2 de março de 2009

Portas magicas



Eu não posso negar o que me tornei
Eu estou só emocionalmente desfeita
Não posso negar, não posso ser outra pessoa

Quando eu tentei encontrar palavras
Para descrever essa percepção absurda
Tentar resistir aos meus pensamentos
Mas eu não posso mentir
Perdendo a mim mesmo
Meu desejo eu não posso ter
Sem razão pra eu ser...
Eu não posso separar ou esconder de mim mesmo
Eu não sei o que eu devo ser
Eu desejo ser apenas aquilo que eu sou

Frequentemente eu tenho sonhado que eu não posso
esperar
Desfruntando do dom de meus erros
Como entao eu estou errado de novo, eu me confesso

Perdendo a mim mesmo
Meu desejo eu não posso ter
Sem razão pra eu ser...

(portishead) buena onda da/para nati

domingo, 1 de março de 2009

Materia em Três



Acabo de retornar
do inferno azul arrogante
inescrupuloso
mais alcool, mais mofo, gozo
brotam os germes dos vermes
e das cinzas renascem um velho coração
ohh! mais um dia de surto
maconha, Sexo,Éter... o que?
Cogumelo Blue
ahh esse Karma so me faz delirar
delirar,Arruinar,Te matar
e morrendo de amor.... um pobre coracao partido
morto vivo em core, sabores e amores
odores de rancores... amor virginal
um cheiro...ar puro...sabor e suor
teu cheiro ada nao foi embora
entao arranco, desando, emplumado
sonhando...e acordo...é o fim...o final