terça-feira, 3 de março de 2009

TER (Mauro Iasi)


Queria tê-la
detê-la
retê-la
na tela pintá-la.

Queria tê-la
para dizer
tenho.

Não como guardada
em baús ou malas.
Não em pequenas peças
de memória ou saudade.

Queria tê-la
como o ar
que passa livre como o vento
que meu corpo quer guardar.

Tê-la assim para depois perdê-la.
De tão grande, tê-la aos poucos
devagar e insaciável.

Tê-la nos olhos
como uma ave
que segue seu vôo no céu
e na retina.

Tê-la como a praia
tem ao mar
como língua que volta a boca
depois de beijar

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